Bancada evangélica no Congresso escolhe novo líder em meio a divisões internas
- Marcelo Damasceno
- 25 de fev. de 2025
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A bancada evangélica no Congresso Nacional realiza nesta terça-feira (25) a eleição para escolher seu novo líder, em um cenário marcado por divisões inéditas. Diferentemente de anos anteriores, quando o nome do líder era escolhido por consenso, a disputa atual está acirrada e reflete um racha interno, especialmente sobre a posição do grupo em relação ao governo Lula (PT).
Atualmente, a bancada evangélica conta com 246 deputados e senadores, sendo uma das maiores forças do Congresso. A votação será realizada por cédulas, e o resultado pode influenciar diretamente a orientação política do grupo nos próximos anos.
Os candidatos na disputa
Três deputados concorrem ao cargo de líder da bancada:
🔹 Otoni de Paula (MDB-RJ) – Ligado à Assembleia de Deus, é apoiado pelo atual presidente da bancada, Silas Câmara (Republicanos-AM). Nos últimos anos, se afastou do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e fez acenos ao governo Lula.
🔹 Greyce Elias (Avante-MG) – Membro da Sara Nossa Terra, é considerada a candidata mais moderada da disputa, com uma postura de centro.
🔹 Gilberto Nascimento (PSD-SP) – Também da Assembleia de Deus, é visto como o candidato mais conservador e alinhado à direita. Ele tem apoio do pastor Silas Malafaia e do ex-presidente da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
Apesar da presença de Greyce Elias, parlamentares avaliam que a disputa será acirrada entre Otoni de Paula e Gilberto Nascimento, que nos últimos meses trocaram acusações nos bastidores.

Eleições e impacto político
A eleição da bancada evangélica pode definir o grau de alinhamento do grupo ao governo Lula e ao Palácio do Planalto. Em 2023, uma disputa parecida resultou na anulação do pleito e em um acordo para a divisão do comando entre Eli Borges (PL-TO) e Silas Câmara (Republicanos-AM).
O crescimento do eleitorado evangélico tem forte impacto nas eleições. Em 2020, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 31% dos brasileiros se identificavam como evangélicos, com destaque para as mulheres, onde o número chegava a 58%.
Em 2022, as campanhas presidenciais de Lula e Bolsonaro investiram fortemente nesse eleitorado. Lula chegou a divulgar uma carta de compromissos aos evangélicos para tentar conter o avanço de Bolsonaro entre esse público.
O resultado da eleição desta terça poderá influenciar as articulações políticas para 2026, ditando o papel da bancada evangélica nas próximas disputas eleitorais.
Por Marcelo Damasceno
Fonte: G1






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