"Careca do INSS" recebeu R$ 53,5 milhões e repassou R$ 9 milhões a servidores, aponta Polícia Federal
- Marcelo Damasceno
- 30 de abr. de 2025
- 2 min de leitura

A Polícia Federal revelou que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", teria recebido R$ 53,58 milhões de entidades associativas e empresas intermediárias por meio de suas empresas, atuando como lobista em esquemas de descontos ilegais nos benefícios de aposentados. A investigação também aponta que ele repassou R$ 9,32 milhões a servidores e empresas ligadas à cúpula do INSS.
Antunes foi um dos alvos da operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, e é considerado o "epicentro da corrupção ativa" dentro de um esquema que envolve descontos associativos indevidos em aposentadorias.
Segundo o relatório da PF, o empresário utilizava empresas de fachada para oferecer serviços de consultoria a associações de aposentados. Entre elas está a Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), que repassou R$ 11 milhões à Prospect Consultoria, de propriedade de Antunes.
A investigação ainda detalha pagamentos diretos e indiretos a ex-integrantes do alto escalão do INSS, como Virgílio Filho (ex-procurador-geral), André Fidelis (ex-diretor de Benefícios) e Alexandre Guimarães (ex-diretor de Governança e Planejamento). A esposa de Virgílio Filho, por exemplo, teria recebido R$ 7,54 milhões, além de um Porsche Taycan transferido diretamente de Antunes.
Outro ponto levantado é a movimentação atípica de imóveis. Um deles foi transferido repetidamente entre Antunes e sua esposa em um período inferior a seis meses, somando valores que ultrapassam R$ 353 milhões.
A PF apreendeu cerca de R$ 41 milhões em bens, incluindo 61 veículos de luxo, avaliados em R$ 34,5 milhões, e 141 joias ou semijoias estimadas em R$ 727 mil.
Em nota, a defesa de Antunes afirmou que “as suspeitas não correspondem à realidade dos fatos” e garantiu que ele “terá sua inocência comprovada”. A Ambec, por sua vez, alegou que também foi vítima de possíveis fraudes, afirmando que a captação de associados era responsabilidade de empresas terceirizadas.
O relatório também destaca que, apesar das suspeitas, há indícios de continuidade nas práticas irregulares por parte das associações, levantando possíveis crimes de corrupção, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
O escândalo culminou na saída de Alessandro Stefanutto do comando do INSS, cuja defesa declarou que ele é inocente e provará sua não participação nos ilícitos investigados.
Fonte: Folha de S.Paulo






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