Congestionamentos na Ponte Presidente Dutra expõem gargalo urbano e cobram atuação definitiva da PRF
- Marcelo Damasceno
- 22 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Os congestionamentos recorrentes na Ponte Presidente Dutra, que liga Petrolina (PE) a Juazeiro (BA), deixaram de ser episódios pontuais para se tornarem parte da rotina de quem precisa atravessar diariamente um dos principais corredores viários do Vale do São Francisco. Nos últimos dias — e, na prática, há meses — o cenário tem sido o mesmo: longas filas, atraso generalizado e prejuízos diretos à mobilidade urbana das duas cidades.
O problema se manifesta tanto no acesso pela margem pernambucana quanto na saída pelo lado baiano. Em um trecho de aproximadamente 750 metros, motoristas enfrentam perdas de tempo que impactam compromissos profissionais, atendimentos médicos, atividades escolares, logística do agronegócio, circulação turística e, em situações mais graves, o deslocamento de pessoas em busca de socorro hospitalar.
Grande parte das interrupções é provocada por acidentes de pequeno e médio porte, além da circulação indevida de veículos de grande porte, especialmente ônibus e caminhões com dimensões incompatíveis com a estrutura da ponte. Esses veículos, ao ficarem enganchados ou bloquearem parcialmente a via, geram um efeito cascata que paralisa completamente o tráfego no sentido Petrolina–Juazeiro, ampliando o caos urbano.
Diante desse cenário, cresce o entendimento de que apenas uma atuação mais firme e permanente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) pode oferecer uma solução efetiva. Especialistas e usuários da via defendem a instalação contínua de um ponto móvel de fiscalização, como um trailer ou base operacional da PRF, preferencialmente antes do acesso à ponte pelo lado de Petrolina, com o objetivo de controlar o fluxo e impedir a passagem irregular de veículos fora do padrão permitido.
A travessia não é apenas um elo físico entre duas cidades; ela sustenta uma dinâmica econômica, social e humana vital para a região. É pela Ponte Presidente Dutra que circulam pacientes em tratamento, trabalhadores, estudantes, cargas do agronegócio e turistas que transitam de norte a sul do país. Cada minuto perdido ali representa prejuízo coletivo.
A chamada Travessia Urbana de Juazeiro, intervenção considerada necessária e estratégica, está sob orientação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e envolve também ações da prefeitura, por meio da Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT). No entanto, o controle imediato do tráfego e a prevenção dos bloqueios recaem, de forma direta, sobre a competência da PRF, responsável pela fiscalização da BR-407, eixo federal ao qual a ponte está vinculada.
Com efetivo, autoridade legal e recursos tecnológicos, a PRF reúne as condições para ordenar a circulação, fiscalizar o tráfego de veículos pesados e evitar que situações previsíveis continuem paralisando a vida de milhares de petrolinenses e juazeirenses. Fora da geografia de acesso da ponte, não há soluções alternativas viáveis: o problema está concentrado ali e exige ação ali.
Enquanto isso não ocorre, o que se vê diariamente é uma população refém de atrasos, frustração e perdas que se acumulam. A cobrança por uma resposta definitiva deixa de ser um clamor isolado e se consolida como uma demanda regional urgente, que envolve responsabilidade federal e respeito ao direito de ir e vir.
Texto: Marcelo Damasceno
Rádio Ponte FM - Petrolina – PE






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