Loja em Santa Catarina boicota Havaianas e vende chinelos por R$ 1 após polêmica publicitária
- Marcelo Damasceno
- 23 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

A polêmica envolvendo a mais recente campanha publicitária da Havaianas ultrapassou as redes sociais e chegou diretamente ao varejo. A Calçados Guarani, tradicional loja do município de Brusque, em Santa Catarina, promoveu um boicote à marca e colocou à venda todos os pares de chinelos da Havaianas por R$ 1, esgotando o estoque em poucas horas.
O anúncio foi feito por meio dos perfis oficiais da empresa nas redes sociais. Segundo a publicação, as três unidades da loja venderiam os produtos da marca pelo valor simbólico enquanto durasse o estoque. A empresa informou ainda que decidiu suspender, por tempo indeterminado, a comercialização da Havaianas, alegando discordância com o conteúdo da campanha publicitária.
“Não vamos mais trabalhar com a marca por tempo indeterminado, devido à provocação da marca com a população conservadora, da qual fazemos parte”, afirmou a loja em comunicado divulgado no Instagram.
Campanha foi interpretada como mensagem política
A reação ocorre após a divulgação de um comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres, no qual uma frase sobre não começar 2026 “com o pé direito”, mas “com os dois pés”, foi interpretada por influenciadores e políticos do campo conservador como uma mensagem de cunho político.
Após a repercussão, a Calçados Guarani publicou uma nova postagem promovendo chinelos e sandálias de outras marcas, reforçando o distanciamento da Havaianas. “Comece 2026 com o Pé Direito! Trabalhamos com chinelos adultos e infantis de diversas marcas”, escreveu a empresa.
Reações divididas entre consumidores
Nos comentários das publicações, consumidores relataram frustração ao chegar às lojas e não encontrar mais produtos da marca, devido à rápida venda do estoque. Outros usuários questionaram a eficácia do protesto.
“Não sei onde está o boicote, se vocês colocaram a marca no pé de todo mundo por um preço camarada”, comentou um internauta.
Repercussão política e impacto no mercado financeiro
Entre domingo (21) e segunda-feira (22), a campanha da Havaianas também gerou manifestações de políticos ligados à direita. Entre eles, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que associaram a propaganda a uma suposta posição ideológica da empresa.
A repercussão atingiu o mercado financeiro. A Alpargatas, controladora da Havaianas, registrou queda de 2,4% no pregão da B3 nesta segunda-feira (22). As ações passaram a ser cotadas a R$ 11,44, resultando em uma perda estimada de R$ 152 milhões em valor de mercado, segundo a consultoria Elos Ayta. No mesmo dia, o Ibovespa recuou 0,21%.
Concorrente ganha visibilidade nas redes sociais
A principal concorrente da Havaianas, a Ipanema, também sentiu os efeitos indiretos da polêmica. Dados do site InsTrack, que monitora métricas do Instagram, mostram que o perfil @sandaliasipanema saltou de 510 mil seguidores, no sábado (20), para 1 milhão na tarde de segunda-feira — um crescimento superior a 490 mil novos seguidores.
Nos comentários, muitos usuários afirmaram que pretendem trocar de marca e cobraram que a empresa aproveite o momento para lançar campanhas de marketing. Até o momento, a Ipanema não se manifestou oficialmente sobre o episódio.
Fonte: Folha de S.Paulo






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