Morre Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro, aos 98 anos

Produtor, fotógrafo e cineasta foi um dos protagonistas do Cinema Novo e deixou um legado marcado por obras que se tornaram clássicos do audiovisual nacional
Por Marcelo Damasceno
O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o produtor, diretor de fotografia e cineasta Luiz Carlos Barreto, conhecido nacionalmente como Barretão. A informação foi confirmada pela família, que não divulgou a causa da morte.
Reconhecido como um dos principais responsáveis pelo fortalecimento do cinema nacional, Barreto dedicou mais de seis décadas à produção audiovisual, atuando em diferentes funções e participando da criação de filmes que marcaram gerações.
Natural de Sobral, no Ceará, onde nasceu em 20 de maio de 1928, iniciou sua carreira no jornalismo e na fotografia, trabalhando na tradicional revista O Cruzeiro. O ingresso no cinema ocorreu no início dos anos 1960, quando colaborou no roteiro e na produção de O Assalto ao Trem Pagador, dirigido por Roberto Farias.
Protagonista do Cinema Novo
Barretão teve papel decisivo no movimento Cinema Novo, que revolucionou a produção cinematográfica brasileira ao propor uma linguagem mais crítica, autoral e voltada para a realidade social do país.
Como diretor de fotografia, participou de duas obras fundamentais da cinematografia nacional: Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe, de Glauber Rocha, filmes que ajudaram a consolidar o movimento e ganharam reconhecimento internacional.
Legado no audiovisual brasileiro
Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, fundou uma das mais importantes produtoras do país, a L.C. Barreto Produções, responsável por dezenas de filmes que se tornaram referências do cinema brasileiro.
Entre os títulos ligados à trajetória da produtora estão Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Padre e a Moça, O Que É Isso, Companheiro?, O Quatrilho e Dona Flor e Seus Dois Maridos.
Lançado em 1976, sob direção de seu filho Bruno Barreto, Dona Flor e Seus Dois Maridos, adaptação da obra de Jorge Amado, tornou-se um fenômeno de público ao reunir cerca de 10,7 milhões de espectadores. Durante mais de 30 anos, o longa manteve o posto de filme brasileiro com o maior público da história.
Reconhecimento permanente
A contribuição de Luiz Carlos Barreto ultrapassa a produção de filmes. Seu trabalho ajudou a consolidar o cinema brasileiro dentro e fora do país, formando gerações de profissionais e impulsionando obras que se transformaram em patrimônio cultural nacional.
Desde março de 2024, o cineasta enfrentava problemas de saúde. Sua morte encerra uma das carreiras mais relevantes da história do audiovisual brasileiro, mas deixa um legado que continuará influenciando o cinema por muitas décadas.
Blog Marcelo Damasceno
Petrolina (PE)







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