O brasileiro esquecido na história da Volkswagen: quem foi Marcílio “Fritz” da Cruz Lopes
- Marcelo Damasceno
- 3 de jan.
- 2 min de leitura

A história da Volkswagen no Brasil guarda personagens fundamentais que, apesar de sua relevância, acabaram apagados da memória institucional. Um desses nomes é o de Marcílio da Cruz Lopes, conhecido como Fritz, considerado o primeiro brasileiro oficialmente registrado como funcionário da Volkswagen do Brasil e figura-chave nos primórdios da indústria automotiva nacional.
Fluente em alemão, Fritz tornou-se peça estratégica na comunicação e na articulação interna da montadora, atuando como homem de confiança da presidência da empresa. Sua trajetória se confunde com momentos históricos do setor, como a inauguração da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, em 1959, evento que contou com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek, símbolo do projeto desenvolvimentista do país.
Além de sua proximidade com a alta direção da montadora, Fritz ficou marcado por um episódio que revelou seu compromisso ético. Ao identificar o desvio de peças ocultas em veículos Fusca enviados às concessionárias, não hesitou em denunciar o esquema. A atitude, no entanto, teve um alto custo pessoal e profissional.
A denúncia resultou em sua demissão, seguida da perda de prestígio e de vínculos profissionais. Com o passar dos anos, Fritz viu seu nome ser gradualmente apagado da história oficial da empresa que ajudou a construir. Morreu sem qualquer reconhecimento público por parte da montadora, tornando-se símbolo dos heróis anônimos da industrialização brasileira.
A trajetória de Marcílio “Fritz” da Cruz Lopes lança luz sobre um aspecto pouco discutido da indústria automotiva: os bastidores humanos por trás do crescimento das grandes marcas. Sua história permanece como um alerta sobre memória, ética e justiça histórica.
Texto: Marcelo Damasceno
Local: Petrolina – PE






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