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Presidente da Conafer nega corrupção no INSS, mas não esclarece contratos milionários

  • Foto do escritor: Marcelo Damasceno
    Marcelo Damasceno
  • 29 de set. de 2025
  • 2 min de leitura
Presidente da Conafer teve embates com relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Presidente da Conafer teve embates com relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Brasília – Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, negou qualquer envolvimento da entidade em esquemas de corrupção. No entanto, ao ser questionado sobre contratos milionários, apresentou dificuldades para justificar os serviços prestados e os vínculos empresariais.


O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), indagou Lopes sobre a empresa Santos Agroindústria Atacadista e Varejista, fornecedora de insumos para a Conafer. O dirigente afirmou não saber quem são os sócios da empresa, mesmo após reconhecer pagamentos de grande porte.


“O senhor paga 100 milhões a uma prestadora de serviços e não sabe quem é o sócio dela?”, perguntou Gaspar.“Não, eu preciso dos insumos que eu compro dela”, respondeu Lopes.“Ah, está bom. Está de parabéns”, ironizou o parlamentar.

A Conafer é hoje a segunda entidade associativa com maior volume de descontos em aposentadorias e pensões. Investigações da Polícia Federal apontam que parte desses descontos teria sido feita de forma ilegal, sem autorização expressa dos beneficiários.


📊 Crescimento exponencial

De acordo com os dados levantados pela CPI, entre 2019 e 2024 a Conafer ampliou em mais de 790 vezes o volume de descontos realizados. No período, a entidade teria movimentado cerca de R$ 800 milhões oriundos de aposentados e pensionistas do INSS.


A Santos Agroindústria, por sua vez, é ligada a Cícero Marcelino, funcionário da própria Conafer e apontado pela PF como operador financeiro da entidade. Segundo as investigações, Marcelino recebeu mais de R$ 100 milhões e é suspeito de adquirir veículos de luxo com recursos desviados. Ele foi alvo de operação policial em maio deste ano.


⚖️ Descontos até em nomes de falecidos

O relator também mencionou indícios de que a Conafer teria feito descontos em benefícios de pessoas já falecidas.


“É padrão da Conafer ressuscitar mortos para assinatura de descontos associativos?”, questionou Gaspar.Lopes respondeu: “É padrão do INSS ter defunto recebendo benefício?”.O relator insistiu: “Eu pergunto novamente: é padrão da Conafer?”.“Se o morto estiver recebendo benefício, pelo jeito, sim, né?”, ironizou o presidente da entidade.

🔥 Clima tenso na sessão

O depoimento foi marcado por momentos de tensão entre o presidente da Conafer e integrantes da CPI. O deputado Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da comissão, chegou a exibir uma foto e questionar se o retratado era o próprio Lopes.


“Esse sujeito aqui é o senhor? Sabe me dizer se é o senhor?”, perguntou Duarte, em tom ríspido.“Se o senhor não sofrer de nenhuma míope (sic), o senhor tá vendo que é eu”, respondeu o depoente.

Diante da resposta, Duarte solicitou a prisão de Lopes, mas o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), negou o pedido.


O caso segue sob apuração da comissão, que busca esclarecer o destino dos recursos e eventuais fraudes em descontos indevidos de aposentados e pensionistas.



Fonte: Estadão


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