Transnordestina até Suape pode gerar impacto de R$ 8,23 bilhões na economia, aponta estudo da Sudene

Levantamento apresentado ao TCU estima retorno econômico de 15,53% para o trecho Salgueiro-Suape; reunião teve participação de Humberto Costa e Augusto Coutinho
A conclusão da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro, no Sertão pernambucano, e o Porto de Suape poderá produzir impactos econômicos e sociais de bilhões de reais para Pernambuco e para a integração produtiva do Nordeste. É o que aponta estudo elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Os dados foram levados ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo relacionado à retomada das obras do trecho pernambucano, durante reunião realizada nesta terça-feira (11). O encontro contou com a participação do superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, do senador Humberto Costa (PT-PE) e do deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos-PE), coordenador da bancada pernambucana no Congresso Nacional.
A iniciativa busca fornecer elementos técnicos para a análise do projeto e dimensionar os possíveis benefícios econômicos, logísticos, sociais e ambientais decorrentes da conclusão da ligação ferroviária com Suape.
Estudo aponta R$ 8,23 bilhões em impacto no VAB
Elaborado a partir da metodologia de Análise Custo-Benefício (ACB), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o levantamento da Sudene estima Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões para o empreendimento.
A Taxa de Retorno Econômico (TRE) calculada chega a 15,53%.
Outro número destacado pela análise é o possível reflexo sobre o Valor Adicionado Bruto (VAB). Segundo o estudo, a implantação do trecho ferroviário poderá representar impacto de aproximadamente R$ 8,23 bilhões.
Depois da conclusão das obras, a operação da ferrovia poderá acrescentar, ainda de acordo com a estimativa apresentada pela Sudene, aproximadamente R$ 910 milhões por ano à economia regional.
Benefícios ultrapassariam retorno financeiro
A análise apresentada ao TCU não considera apenas a rentabilidade financeira da ferrovia. O cálculo do Valor Social Presente Líquido procura mensurar também efeitos mais amplos do empreendimento sobre a sociedade.
Entre os fatores considerados estão a potencial redução dos custos logísticos, a diminuição dos acidentes nas rodovias, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a possibilidade de economia de recursos públicos destinados à infraestrutura rodoviária.
O estudo também considera os efeitos da ferrovia sobre a integração das cadeias produtivas nordestinas e, consequentemente, sobre o desenvolvimento regional.
Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a apresentação dos números permite acrescentar informações técnicas à discussão sobre a conclusão da ferrovia.
“Nosso objetivo é oferecer elementos técnicos, com base em dados atualizados e na perspectiva do interesse público”, declarou após o encontro.
Processo aguarda novos documentos
O senador Humberto Costa classificou a reunião como positiva e afirmou existir expectativa de avanço do processo depois da inclusão de novos documentos pela Infra S.A.
Segundo o parlamentar, o ministro Jhonatan de Jesus demonstrou atenção ao tema durante o encontro. Humberto também reiterou a posição do governo federal favorável à continuidade do empreendimento.
“A reunião foi muito positiva, o ministro Jhonatan de Jesus está sensível ao tema e nós estamos esperando que novos documentos sejam juntados pela Infra S.A. para que o processo volte à análise”, afirmou.
A liberação e o cronograma das obras, entretanto, dependem do andamento dos procedimentos técnicos e administrativos relacionados ao empreendimento.
Trecho pernambucano tem contrato de R$ 312,8 milhões
A movimentação em torno da Transnordestina ocorre também após a formalização, em julho, de um contrato para elaboração do projeto executivo de engenharia e realização dos serviços de infraestrutura remanescentes do lote SPS 04, localizado entre Custódia e Arcoverde, no Sertão de Pernambuco.
Firmado entre a Infra S.A. e o Consórcio ACA Transnordestina, o contrato tem valor de R$ 312,8 milhões.
O trecho possui 73,32 quilômetros de extensão, e o escopo contratado inclui serviços de infraestrutura e execução de obras de arte especiais. A vigência prevista é de 57 meses.
Ligação com Suape amplia dimensão estratégica do projeto
A conclusão do eixo entre Salgueiro e Suape é considerada estratégica por permitir que a ferrovia alcance um dos principais complexos portuários do Nordeste.
Além do impacto direto sobre Pernambuco, a conexão ferroviária poderá ampliar alternativas para o transporte de cargas produzidas no interior nordestino e facilitar o acesso ao sistema portuário.
É justamente essa dimensão que o levantamento da Sudene procura quantificar ao incorporar à análise fatores que ultrapassam os resultados financeiros imediatos da ferrovia.
Com o estudo agora apresentado ao TCU, a discussão sobre a conclusão da Transnordestina até Suape passa a contar com novas estimativas sobre seus potenciais efeitos econômicos e sociais. Os próximos passos dependerão da documentação a ser incorporada ao processo e das análises dos órgãos responsáveis.
Por Marcelo Damasceno
Petrolina-PE
Com informações do Blog da Folha/Folha de Pernambuco e Sudene







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