Terremotos na Venezuela deixam milhares de desabrigados e transformam estádios em abrigos de emergência
- 27 de jun.
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A rotina de milhares de venezuelanos foi interrompida em poucos segundos após dois fortes terremotos atingirem o país na última quarta-feira (24). Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram um dos maiores desastres naturais da história recente da Venezuela, deixando quase mil mortos, mais de 50 mil desaparecidos e um enorme contingente de famílias sem moradia. Em La Guaira, estado mais atingido pela tragédia, estádios esportivos foram convertidos em centros de acolhimento, onde sobreviventes tentam iniciar uma nova etapa da vida cercados por incertezas, perdas e gestos de solidariedade.
La Guaira concentra os maiores impactos da tragédia
O estado costeiro de La Guaira, vizinho à capital Caracas, tornou-se o principal cenário da devastação. Edifícios desabaram, bairros inteiros sofreram danos estruturais e equipes de resgate seguem trabalhando na busca por vítimas sob os escombros.
Desde os primeiros minutos após os tremores, ambulâncias, equipes de emergência e voluntários passaram a atuar de forma ininterrupta. Além do colapso de diversas construções, o medo de novos abalos continua presente diante das mais de 300 réplicas registradas desde o terremoto.
Centenas de moradores foram obrigados a abandonar imóveis comprometidos pelas rachaduras e pelo risco de desabamento.
Estádio se transforma em abrigo para quem perdeu tudo
Sem condições de retornar para casa, centenas de famílias encontraram abrigo no estádio poliesportivo José María Vargas, adaptado para receber os desabrigados.
Grandes tendas foram instaladas para acomodar grupos de até 50 pessoas. No local, são distribuídos alimentos não perecíveis, água potável, produtos de higiene e colchões, enquanto voluntários organizam a rotina dos moradores.
Entre os acolhidos está Yosey Escalona, que precisou deixar sua residência após constatar graves danos estruturais.
Segundo ele, permanecer vivo representa uma oportunidade de recomeçar, apesar da destruição provocada pelo desastre.
Organização coletiva garante funcionamento dos abrigos
A convivência nas tendas depende da colaboração entre os próprios moradores.
Grupos de voluntários foram formados para administrar a distribuição de suprimentos, manter a organização dos espaços e prestar apoio às famílias recém-chegadas.
Escalona também coordena dezenas de pessoas que dividem o mesmo abrigo, destacando que a cooperação tem sido essencial para enfrentar o momento de dificuldade.
Corrente de solidariedade mobiliza voluntários em todo o país
Enquanto as equipes de resgate continuam as buscas, doações chegam de diferentes regiões da Venezuela.
O estádio também passou a funcionar como centro de arrecadação e distribuição de itens essenciais. Malas, roupas, colchões, alimentos e medicamentos chegam diariamente ao local levados por voluntários e instituições.
Carlos Marcanos, trabalhador portuário que também perdeu a casa, afirma que a união entre os venezuelanos se tornou uma das principais forças para enfrentar a tragédia.
Outro exemplo dessa mobilização veio de Pedro Colmenares, que, ao lado de colegas de trabalho, entregou centenas de pães e bebidas aos desabrigados, atendendo às longas filas formadas para a distribuição de alimentos.
Hospitais enfrentam aumento da demanda por atendimento
Além da destruição material, o sistema de saúde passou a lidar com um elevado número de vítimas.
O Hospital Periférico de Pariata recebeu a maior parte dos feridos nas primeiras horas após os terremotos. Segundo informações repassadas por um enfermeiro à AFP, mais de 400 pessoas foram atendidas nas primeiras 48 horas.
Entre os pacientes estão pessoas com fraturas, hematomas, ferimentos diversos e também pacientes psiquiátricos que perderam suas residências.
Após receberem alta médica, muitos são encaminhados diretamente aos abrigos temporários por não terem para onde retornar.
A cirurgiã Geralldyne Franco ressaltou que o atendimento médico resolve apenas parte do problema, já que inúmeras famílias perderam completamente suas casas.
Governo decreta área de desastre
Diante da gravidade da situação, a presidente interina Delcy Rodríguez declarou La Guaira como zona de desastre.
Durante pronunciamento realizado na madrugada deste sábado (27), ela informou que a região foi militarizada com o objetivo de reforçar a segurança e apoiar as operações de assistência humanitária.
As autoridades continuam concentrando esforços nas buscas por desaparecidos, na assistência às vítimas e na recuperação das áreas atingidas.
Fonte: Folha PE







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