Raimundinho de Afrânio: as lições de uma vida dedicada à política pernambucana

Raimundo Cavalcanti Rodrigues, advogado e político, nasceu em Afrânio, no sertão de Pernambuco, cidade que viria a governar por três mandatos como prefeito: entre 1973 e 1976, entre 1983 e 1988, e entre 1993 e 1996. Mas foi na vida pública que ganhou o nome pelo qual é lembrado até hoje: Raimundinho de Afrânio. Sua trajetória entrou para o folclore político do estado, e até um repertório de piadas construído em torno de seu jeito e sua personalidade — algumas inventadas, outras nem tanto — segue circulando décadas depois.
Raimundinho fez sua história a partir da proximidade com as camadas mais carentes do município, situado na divisa de Pernambuco com o Piauí. Viajava incansavelmente ao Recife, onde nunca deu trégua aos sucessivos governadores do estado, de Moura Cavalcanti a Joaquim Francisco, passando por Miguel Arraes e Roberto Magalhães. Dividia o tempo entre o expediente na prefeitura de Afrânio e o atendimento direto ao seu munícipe, onde quer que estivesse. Tinha espírito público aguçado e a paciência típica do sertanejo, ainda que fosse, ele mesmo, uma figura inquieta.
Ao longo da carreira, chegou a compor alianças com a família Coelho, que há 75 anos domina a política do sertão pernambucano, sobretudo em Petrolina. Raimundinho rompia ou selava esses acordos eleitorais conforme os interesses de seus conterrâneos afranienses indicassem o melhor caminho. Manteve, no entanto, lealdade também aos adversários. Pacífico, folclórico e de conversa temperada com bom humor, preservou princípios públicos e domésticos que o tornaram querido entre amigos e familiares.
Hoje, já aposentado, Raimundinho divide o tempo entre Afrânio e Petrolina como cidadão comum. Vem de família numerosa e politicamente atuante: outros dois irmãos, Osvaldo e Adalberto Cavalcanti, também governaram Afrânio como prefeitos.
Atento às eleições e aos bastidores da política até hoje, Raimundinho guarda o que se pode chamar de sabedoria boa. Conservador e progressista a um só tempo, soube se adaptar aos novos ventos da política sem abrir mão da identidade interiorana, difundindo a ideia de que o eleitor tem sempre a palavra final e os governos que escolhe merece. Democrático por convicção, Raimundinho de Afrânio carrega lições preciosas das escolhas que fez ao longo de uma vida pública vitoriosa.
Por Marcelo Damasceno
BlogPetrolina (PE)







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